Negócios + Automação

Automação com IA: por que não apostar em um fornecedor só

· Marcos Munoz

Resposta curta

Automação com inteligência artificial em um único fornecedor é arriscada porque custo, qualidade e disponibilidade podem mudar sem aviso; orquestrar mais de um fornecedor reduz esse risco.

Automação com inteligência artificial que depende de um único fornecedor é arriscada. Veja a lição do Copilot Fusion para qualquer tipo de negócio.

Imagem de capa do artigo Automação com IA: por que não apostar em um fornecedor só

Automação com inteligência artificial virou rotina em empresas de todos os tamanhos, mas a maioria delas ainda comete o mesmo erro: concentrar todo o processo em um único fornecedor de IA. Um lançamento recente do GitHub mostra por que essa é uma aposta arriscada, mesmo quando o fornecedor escolhido é bom.

Automação com inteligência artificial: o que o GitHub lançou

Na quarta-feira, durante o GitHub Universe, a empresa lançou o Copilot Fusion, um motor de orquestração que distribui cada tarefa de programação entre vários modelos de inteligência artificial diferentes, em vez de rodar tudo em um único modelo. O sistema escolhe o modelo mais adequado para cada parte do trabalho, combinando resultados em vez de depender de uma fonte só.

Segundo testes independentes citados no lançamento, a configuração de maior esforço do Fusion custou, em média, cerca de metade do preço por tarefa em comparação com rodar o mesmo trabalho só no modelo mais forte disponível, mantendo nível de qualidade próximo. A empresa também relatou tarefas concluídas mais rápido nessa configuração orquestrada, embora esse dado específico de velocidade não tenha sido verificado pelo avaliador independente citado no lançamento.

Isso pode parecer notícia só de ferramenta para programador. Não é.

A lição por trás do Copilot Fusion para qualquer processo automatizado

O princípio por trás do Copilot Fusion vale para automação com inteligência artificial em qualquer área de um negócio, não só em código:

  • Custo muda com o tempo. Um fornecedor de IA pode reajustar preço, mudar política de uso ou limitar acesso sem aviso prévio longo. Quem depende de um único fornecedor fica exposto a essas mudanças sem alternativa pronta.
  • Qualidade não é estática. Um modelo que hoje é o melhor da categoria pode perder posição em meses, conforme concorrentes lançam versões novas. Processos automatizados amarrados a um único modelo carregam esse risco de obsolescência.
  • Disponibilidade nunca é garantida. Instabilidade, manutenção ou decisões comerciais do fornecedor podem interromper o serviço. Um processo automatizado sem alternativa para rodar fica parado até o fornecedor resolver o problema.

Orquestrar múltiplos fornecedores de inteligência artificial, mesmo que de forma mais simples do que o Copilot Fusion, significa ter um plano B automático para cada um desses riscos.

O que diferencia orquestrar de simplesmente usar vários aplicativos

Vale separar dois conceitos que parecem iguais, mas não são. Usar várias ferramentas de inteligência artificial soltas no dia a dia de uma empresa, uma para texto, outra para imagem, outra para atendimento, não é a mesma coisa que orquestrar fornecedores dentro de um mesmo processo automatizado.

A orquestração de verdade, como o Copilot Fusion propõe, decide automaticamente qual fornecedor usar em cada etapa de uma tarefa, com base em custo, qualidade ou disponibilidade no momento. Isso é diferente de simplesmente ter contratos com fornecedores diferentes para áreas diferentes do negócio, que é um primeiro passo útil, mas não resolve o problema de depender de um único fornecedor dentro de um processo específico.

Para a maioria das pequenas e médias empresas, chegar ao nível de sofisticação de uma orquestração automática ainda não é prioridade nem necessidade. O primeiro passo realista é mais simples: garantir que nenhum processo crítico do negócio pare completamente se um único fornecedor de inteligência artificial falhar ou mudar de política de uso.

Automação com inteligência artificial fora do mundo do código

Para pequenas e médias empresas que estão automatizando atendimento, triagem de documentos, geração de conteúdo ou análise de dados com inteligência artificial, a lição prática é parecida:

  1. Mapeie onde está a dependência única. Identifique quais processos automatizados do seu negócio rodam inteiramente sobre um único fornecedor de IA, sem alternativa configurada.
  2. Teste um segundo fornecedor para as tarefas mais críticas. Não precisa ser uma orquestração sofisticada. Mesmo ter um processo manual de backup, ou um segundo fornecedor testado e pronto para assumir, já reduz o risco de parada total.
  3. Revise custo por tarefa, não só custo mensal. A comparação que importa não é o valor da assinatura, é quanto cada tarefa automatizada custa de fato, considerando qualidade do resultado.

Perguntas simples para testar sua dependência de um fornecedor só

Antes de assumir que seu negócio está protegido, vale responder a três perguntas sobre cada processo automatizado com inteligência artificial que já está em produção:

  • Se esse fornecedor de inteligência artificial aumentasse o preço em 50% amanhã, o processo continuaria viável?
  • Se o serviço ficasse indisponível por 24 horas, existe algum plano B, mesmo que manual, para não travar o atendimento ou a entrega?
  • Alguém no time sabe, de fato, o que aconteceria com esse processo automatizado se o fornecedor encerrasse o serviço com poucos meses de aviso?

Se a resposta para qualquer uma dessas perguntas for não, esse processo automatizado provavelmente está mais exposto do que parece no dia a dia, mesmo funcionando bem agora.

A lição que custa caro aprender depois

Ao longo da minha trajetória com automação de processos, aprendi isso do jeito mais caro: confiar demais numa única ferramenta funciona até o dia em que ela muda de preço, de política, ou simplesmente sai do ar. Nesse dia, o processo automatizado para, e a dependência que parecia eficiência vira vulnerabilidade.

Diversificar fornecedor de inteligência artificial em um processo automatizado dá trabalho extra agora: mais testes, mais integração, mais complexidade de manutenção. Mas funciona como um seguro para o negócio, reduzindo o custo de uma falha que, quando acontece, costuma ser bem mais caro do que o trabalho de diversificar.

O exemplo do GitHub mostra isso em escala de produto de tecnologia bilionário. A lógica, porém, é a mesma para qualquer empresa que decidiu automatizar um processo importante com inteligência artificial e ainda não parou para perguntar o que acontece no dia em que o único fornecedor escolhido falhar.

Você já diversifica as ferramentas de inteligência artificial que automatizam processos no seu negócio, ou ainda está tudo concentrado em um fornecedor só?

Fonte: VentureBeat

Um e-mail por mês sobre produtos com IA: o que funciona, o que não funciona e o que aprendi construindo. Cancele quando quiser.

Ver todos os artigos →